Inflação de quem ganha menos fica abaixo da média: 4,29% em 12 meses, contra 4,58%
Em setembro, os dois índices variaram 0,82%. Veja por que os índices do IBGE para cada faixa de renda andam diferentes e o que pesa mais no orçamento das famílias de menor renda.
Nos 12 meses até setembro de 2026, a inflação das famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, medida pelo INPC, foi de 4,29%, abaixo dos 4,58% do IPCA, que mede a inflação média das famílias de 1 a 40 salários mínimos, segundo o IBGE. Ou seja, quem ganha menos sentiu menos a alta de preços (diferença de 0,29 ponto percentual).
O IBGE calcula dois índices de inflação ao consumidor com os mesmos preços, mas com cestas diferentes: o INPC acompanha as famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, e o IPCA, a inflação oficial, as famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Como cada grupo de famílias gasta o dinheiro de um jeito, o mesmo aumento de preço pesa mais em um índice do que no outro.
Só em setembro, os dois índices tiveram o mesmo resultado: 0,82%.
Os dois índices
| Índice | Quem mede | Em setembro | 12 meses |
|---|---|---|---|
| INPC | Renda de 1 a 5 salários mínimos | 0,82% | 4,29% |
| IPCA | Renda de 1 a 40 salários mínimos | 0,82% | 4,58% |
Por que a diferença
A maior diferença de peso entre as duas cestas está em alimentação e bebidas: o grupo pesa 24,49% no INPC e 21,51% no IPCA. Em setembro, o grupo variou 0,80% no INPC e 0,83% no IPCA; em 12 meses, 4,47% e 4,66%. Pelos pesos de cada índice, os grupos que mais afastaram o INPC do IPCA no mês foram habitação (puxando o INPC para cima em 0,08 ponto percentual) e transportes (puxando o INPC para baixo em 0,06 ponto percentual).
| Grupo | Peso no INPC | Peso no IPCA | INPC em setembro | IPCA em setembro |
|---|---|---|---|---|
| Alimentação e bebidas | 24,49% | 21,51% | +0,80% | +0,83% |
| Habitação | 17,30% | 15,26% | +2,49% | +2,31% |
| Artigos de residência | 4,25% | 3,48% | +0,36% | +0,27% |
| Vestuário | 5,44% | 4,62% | +0,64% | +0,71% |
| Transportes | 19,05% | 20,16% | +0,62% | +0,89% |
| Saúde e cuidados pessoais | 12,09% | 13,84% | −0,09% | +0,08% |
| Despesas pessoais | 8,07% | 10,41% | +0,06% | +0,26% |
| Educação | 4,56% | 6,21% | +0,03% | +0,04% |
| Comunicação | 4,74% | 4,51% | +0,65% | +0,64% |
O que isso muda para você
Se a sua renda está perto da faixa de 1 a 5 salários mínimos, o INPC descreve melhor a alta do seu custo de vida do que o IPCA. É também o índice que corrige os benefícios do INSS acima do salário mínimo e a parte de inflação do reajuste do mínimo. Para saber se um reajuste salarial repôs a inflação, compare com o índice da sua faixa de renda: um aumento abaixo de 4,29% nos últimos 12 meses ficou abaixo do INPC.
Sobre os dados
- Fonte: IBGE, IPCA e INPC; tabela 7060 e tabela 7063 do Sidra/IBGE (variação mensal, em 12 meses e peso dos grupos); os índices gerais foram conferidos com as séries 433 e 188 do SGS do Banco Central.
- Mês de referência: setembro de 2026. Diferenças e contribuições dos grupos (variação × peso) calculadas pela redação, em pontos percentuais.
- Dados consultados em 01/11/2026, às 14:46 (horário de Brasília).
Matéria produzida automaticamente pela Redação Ritmo Econômico a partir de dados oficiais, sem interpretação de terceiros.
Fonte: IBGE (INPC e IPCA) · atualizado em 01/11/2026, 14:46
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